AmazoNós

Gisella
Vieira Braga

Manauara, professora do ensino básico, criadora do “Manaus de Antigamente”.

Uma breve história dessa maninha

Gisella Vieira Braga, criadora do projeto Manaus de Antigamente, nasceu em Manaus. Seus pais vieram para Manaus juntamente com a leva de pessoas que chegaram após a criação da Zona Franca de Manaus (ZFM). Seu pai trabalhava como taxista no centro histórico da cidade, que também era o lar de Gisella. Essa vivência lhe proporcionou uma perspectiva única sobre o desenvolvimento e transformação da cidade ao longo dos anos. 

 

Durante a infância, Gisella era uma criança muito inquieta e seus pais a protegiam, não permitindo que saísse ou assistisse televisão. Foi então que ela descobriu um novo mundo através da leitura. Através de livros de história do Amazonas, aprendeu a valorizar a história de seu estado. 

 

Além dos livros, da vivência no centro histórico e do apoio dos pais, Gisella destaca que as aulas de História e Geografia do Amazonas que teve durante sua vida escolar foram importantes para o seu interesse pela história do Amazonas. Essas disciplinas permitiram que ela tivesse contato com o rico patrimônio cultural do estado e se apaixonasse ainda mais pela história de sua cidade. 

 

Aos 17 anos, logo após concluir o ensino médio técnico, Gisella sentiu a necessidade de procurar seu primeiro emprego. Naquela época, a opção mais rápida e viável para ela foi seguir o caminho do ensino primário, já que não precisava ter um diploma universitário para lecionar para as turmas de 1º a 5º ano. 

 

Com o passar dos anos, Gisella tentou explorar a docência para o ensino superior, mas foi justamente nessa experiência que percebeu que gostava mais de dar aulas para o ensino primário. Atualmente, ela atua na parte administrativa de uma escola. 

 

Gisella é reconhecida como uma das principais influenciadoras digitais em história Amazonas, graças ao seu trabalho no projeto Manaus de Antigamente. Seu legado é a preservação da memória e da cultura local, mantendo viva a história de uma cidade que se desenvolveu ao longo de séculos. 

 

O que essa maninha fez?

Em 2012, Gisella iniciou o projeto “Manaus de Antigamente” em formato de blog, movida pelo seu interesse pela fotografia e história da cidade de Manaus. Rapidamente, pessoas que encontraram a página interagiram com saudosismo e nostalgia por uma Manaus que mudou bastante nas últimas décadas. Os seguidores do blog, que depois se tornou uma conta no Instagram, também contribuem com o projeto, enviando fotos e arquivos que mostram detalhes da cultura de Manaus de antigamente. 

 

Com o crescimento da página, Gisella decidiu, em 2017, começar a fazer passeios pelo centro histórico de Manaus nos fins de semana, o que levou o projeto a uma dimensão mais séria. Geralmente, os passeios são marcados com antecedência pelos seguidores pelo Instagram. 

 

Atualmente, a página é um grande sucesso com mais de 70 mil seguidores e serve como fonte de pesquisa para pessoas do mundo inteiro. Gisella relata que já foi procurada por pessoas da França e da Itália que estavam pesquisando sobre seus antepassados – avôs e bisavôs – que passaram pela região durante o ciclo da borracha. Além disso, muitos pesquisadores a procuram para pedir permissão para utilizar as fotos da página. 

 

A página é visitada por pessoas de várias idades, sendo um espaço em que os mais jovens descobrem mais sobre o lugar em que nasceram e os mais velhos relembram a Manaus que fez parte da história deles. 

 

Para Gisella, a tecnologia é uma ferramenta essencial para tornar a informação mais acessível aos jovens. Ela acredita que muitas vezes as pessoas discutem sobre um determinado assunto e acabam chegando ao jovem. Por isso, ela vê a importância de usar a tecnologia como uma maneira de facilitar o acesso à informação. 

 

Para o futuro de Manaus, Gisella prevê uma transformação drástica, com um possível enfraquecimento econômico, mas a cidade renascerá como uma “Fênix”, assim como aconteceu durante o ciclo da borracha e a instituição da ZFM. Com essa transformação, Gisella acredita que haverá uma hipervalorização da cultura, a fim de explorar o potencial turístico da região, e as redes sociais serão um instrumento essencial nesse processo. 

 

Por fim, Gisella deixa uma dica valiosa para aqueles que se interessam pela história do Amazonas: “comece pelos clássicos”. Ela indica os livros de Mário Ypiranga, Samuel Benchimol e Moacir Andrade, que trazem detalhes importantes e que não são encontrados em nenhum outro lugar, servindo como base para futuras pesquisas. 

 

Acompanhe mais do trabalho de Gisella em @manausdeantigamente.